Poema

TRAIÇÃO

Poderia ser o início da tempestade

insidiosa em que os amigos são trocados

por favores ignóbeis. Rochas partidas

de insípidas mensagens. O outro lado

estabelece as regras. O viés da marcha

desmanchado na estrada e o calor do corpo.

Cessam os lamentos em mentiras

e do nada – o restante – ressurgem

as glórias: por isso são brancos os panos

das entregas. Desonrosa, matemática

em centavos milimetricamente

esperados sob o agasalho. A arena

irrompe mãos apaixonadas pela justiça.

Não eram deles as vitórias em lendas

ouvidas dos mais velhos: o rancor precede

o campo de batalha na ironia do cardo

penetrado em sangue. Olhar tenso

com que se despede na vida destroçada

e a certeza – sim a certeza – do condenado

na tristeza permanente com que olha o amigo.

(Pedro Du Bois, inédito)

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